O menino Deus- Mercúrio em gêmeos
- halannedias
- 8 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 21 de mai.
O menino Deus!
Brincar é vulnerabilizar- se
Se vê ao longe o corpo que brinca. Tem Molejo, tem swing, tem passo, descompasso, cultiva as entrelinhas, os entre espaços, tem confusão, e não entra só com permissão.
Parece um jogo de capoeira bem jogado, o bom jogador nem sempre é o que dá a rasteira, e sim aquele que cai mole, ri de canto, brinca de rastejar, e sobe fazendo malabares.
Lá de longe se vê o corpo que brinca. Faceiro, molinho, atento, risada em dia, os sentidos todos encaixados nos seus tons, prontos a tomar partida das decisões que disseram pertencer somente a mente, os pelos se adiantam, gargalhada indevida, o santo que não bate, a pulga atrás da orelha, ginga pra cá, ginga pra lá, mas nada é tão sério assim, trata de rodopiar.
Não levar a vida a sério requer maturidade de muitas vidas, um molejo de alma, como ser compromissado sem ser duro, atento sem controle, altruísta sem a medalha…
Requer muito pular de muro... Daqueles que do outro lado não se sabe se tem um cachorro grande, ou um campo de girassóis, pra esse povo a bola sempre vale a pena.
O corpo que se arrisca assim, é o mesmo que brinca, e é o mesmo que se vulnerabiliza, tem até medo do erro, mas o escolhe com frio na barriga, porque certeza de mais dá calafrio, esse corpo chora quando tem água, dança quando tem fogo, voa quando asas estão disponíveis e mergulham no escuro da terra quando morrer é necessário.
Pra brincar assim, com essa qualidade de liberdade às vezes temos que desapegar do posto do adulto certinho, caderno encapado, estrelinhas no dever, barriga chapada, 2lt de água por dia e os boletinhos todos pagos. Na brincadeira tem sujeira, queda, desavenças, roupa rasgada, joelho ralado e no fim do dia uma boa noite de sono, um sono que repara, que sonha, que viaja, não esses que só a base de remédinhos da nossa contemporaneidade.
Tem muita vida no brincar, tem muito corpo, atento, criativo, daqueles que constroem lira com casco de tartaruga, que sabem manejar flauta com um dia de aula, por que não tem utilidade, faz só por sacanagem, vai no samba e samba, pega a flauta e toca, vê panela e cozinha, só porque ali se brinca. Não quer ser bailarino, Músico nem Chef, quer só viver aquele tempo do agora disponível, não tem métrica, nem planilha.
E o corpo que não brinca? Esse tem pavor de errar, de chorar, de pedir apoio, de coisa nova, projeto que não domina, aprender língua nova, ser um pouco ridículo, falar que ama com medo de não ser retribuído, não ri das quedas no Mar, tem horror de se sujar.
O corpo que não ri, sente dor, sente angústia, desajuste, não suporta planilha sem check, não desagrada, não desalinha, não fuma, não bebe, faz Yoga 3x por semana, tá com todos os exames em dia, mas vive com claustrofobia da vida.
Sujeito assim não samba, não vê beleza em rasteiras de capoeira, vai lá vê em rasteiras da vida! Não dança em horas inapropriadas, nunca ri de piada, não vê graca em coisa simples, o corpo tá doente, doença de ser adulto.
O menino Deus Mercúrio não adulteceu em excesso.
Ele ri de si, ri do outro e prega peças...
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Ocupe seu corpo!
Com carinho,
Halanne Santiago





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